Espetáculos Interativos

Rua Flu 
 

“Rua Flu” é um espetáculo voltado para o público infanto-juvenil e que possui a cartografia e a improvisação como dispositivos de criação. O jogo, o formato arena, a proximidade e a interação com o público continuam sendo características do trabalho desta companhia, desde a estreia de “As Aventuras de VocEu” em 2014. Nesta nova criação, o coletivo formado por cinco bailarinos, um músico, uma contadora de histórias e uma artista plástica, experimentam as possibilidades de pensar o espaço como fluxos, linhas e mapas, construindo zonas de afeto e traçando linhas de fuga.

Ficha Técnica:

Intérpretes Criadores: André Moraes, Dayana Crisostomo, Evelin Danzi, Karen Moraes, Kessia Midory, Peticia Carvalho e Rogério Marcondes

Contação de História: Karen Moraes

Trilha Sonora Original: André Moraes

Direção: Peticia Carvalho

Direção Artística: Marcelly Boccia e Karen Moraes

Figurinos: Marcelly Boccia

Duração aproximada: 70 Minutos

Classificação: Livre (espetáculo ideal para público infanto-juvenil: entre 7 e 13 anos)

Capacidade Máxima Ideal: 60 Crianças

Dramaturgia:

A partir das experiências obtidas com o processo criativo e apresentações de “As Aventuras de VocEu”, a Cia Mover decidiu que continuaria a trabalhar com jogos e o universo da criança, mas que precisaria aprofundar sua pesquisa na improvisação, na criação coletiva-colaborativa e também na maneira de pensar criação em dança mais próximo da idéia de pesquisa em dança.

Assim, optamos por iniciar um processo criativo onde todos os artistas, de diferentes linguagens, fariam parte da criação, e onde a improvisação e a cartografia seriam os assuntos estudados e pesquisados. Partimos da cartografia como método: modos de pensar os fluxos e linhas de força em cena e também como tema a ser explorado: partindo de mapas e outros desenhos cartográficos. Entendemos cartografia não como um produto : o mapa, representação estática, mas como um desenho que acompanha os movimentos e relações que se transformam na paisagem.

Antes do início do espetáculo uma integrante do grupo recepciona o público e convida-o a desenhar com canetas para tecidos em algumas saias que, mais adiante, farão parte do figurino. As propostas de desenho são: “O que tem na cidade?” e “O que você vê pela janela?” - temas que permeiam toda a encenação e que já introduzem os participantes na proposta estética de imaginar a cidade com traços, linhas, desenhos, mapas. O público, portanto, começa a explorar a estética cartográfica.  Em seguida, bailarinas, bailarino, músico e narradora de história conduzem o público à área cênica por meio de um cortejo musical, referenciando a cultura popular. Essa concepção inicial tem como proposta romper a estrutura linear de começo-meio-fim de um espetáculo. Provoca o público a estar ativo e em fluxo desde o momento em que chegam ao espaço, até o final do espetáculo, onde não há uma ruptura de término. Finalizamos em jogo até que aos poucos o público vai deixando esse espaço.

 

Após o cortejo, o público é convidado a sentar em torno do espaço e os bailarinos compõe uma cena congelada com os instrumentos e objetos sonoros. A história se inicia e ao longo dela, os bailarinos vão desmontando a cena e encaixando os objetos na instalação sonora de instrumentos e materiais alternativos como canos de pvc, panelas, chaves, objetos de metal e sucata.

 

A história fala de uma menina que gostava de ficar à janela observando a paisagem e os movimentos da rua. Ela descreve cenas que cotidianamente se repetem como o vendedor de leite que passa todos os dias de bicicleta, a vizinha que passeia com o carrinho de bebê, as crianças que passam brincando e apostando corrida até a chegada da escola e a revoada de pássaros que sempre surgem à sua vista também. A garota também imagina coisas fantásticas que poderiam acontecer nessa rua como pegar carona com um pássaro e atravessar o horizonte até chegar ao sol. Um dia, ao abrir a janela, sua visão fora interrompida por um grande tapume de reforma. Ela descobre que sua rua será asfaltada. A narradora convida a todos a “olharem pelas suas janelas”, tomando esse estado de observação ativa e contemplativa, e perceberem o que acontecerá na Rua Flu.

 

A nova cena começa com um dos bailarinos brincando com um rolo de fita crepe, fazendo-o de binóculo, rolando-o pelo corpo e pelo chão. Outros bailarinos entram interagindo com rolos de fita e com o público através do olhar e de pequenos movimentos que ainda não deslocam o público de seu espaço. Muitos rolos de fitas começam a rolar pelo espaço, e o público interage nessa brincadeira de observar a cena pelo buraco do rolo e rolar as fitas pelo espaço. Outra pesquisa se inicia quando uma das bailarinas puxa uma fita e cola no chão. Há uma mudança na trilha sonora e os bailarinos começam a construir desenhos no chão. O público é convidado para brincar de diversas maneiras com essas linhas e desenhos no chão. Esse momento de improvisação se dá principalmente pela escuta do outro e do jogo. Exploramos os movimentos de caminhar “equilibrando-se” na fita, saltar de um traço a outro, correr, girar e rolar conforme os desenhos que surgem a cada espetáculo. É necessário um olhar atento para estabelecer a triangulação artista-artista-público.

 

Ao meio do espetáculo, a narradora de história retorna perguntando ao público o que viram na rua, o que viram acontecer de suas janelas. As respostas são compartilhadas e o desfecho em fluxo se dá de maneira poética narrando as diversas transformações que uma rua pode sofrer.

 

A última cena do espetáculo tem como pesquisa outro material que também sugere linhas no espaço - fios de malha na cor branca. Sua estética se aproxima com as linhas de fita crepe, mas explorando os níveis médio e alto trazendo a ideia de tridimensionalidade da rua que se transforma pela urbanização e verticalização.  A maleabilidade desse material, além de propor linhas mais flexíveis, possibilitam outro tipo de interação e movimentação. As bailarinas e bailarino começam com um jogo de passar pelo espaço sem encostar nos fios provocando movimentos de correr, saltar abaixar-se e rolar. Convida-se o público para participar desse jogo que depois se desdobra no jogo de envolver-se e prender-se nessas linhas. O espetáculo finaliza quando todo o público é envolvido nesse emaranhado de fios.

© 2017 by Marcelly Boccia.
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